
Eu amo Paris. Acho a cidade mais romântica e bela do mundo, mas ela conseguiu ficar mais perfeita ainda vista do alto dos telhados empoeirados a sombra da cidade mais iluminada do mundo vista em 3D e re-desenhada pela mãos mais brilhantes do cinema. Comecei esse post falando de Paris, porquê falar de um filme perfeito tecnicamente é muito difícil. A Pixar já mostrou do que é capaz e só conferindo os detalhes na tela de cinema pra você entender todo o encantamento que ele produz. Por isso prefiro falar do roteiro e da direção de Ratatouille. Não espere as cenas mais engraçados do mundo, mas espere um filme sublime por tocar em tantos assuntos complicados com uma delicadeza surpreendente. Não espere bichinhos fofinhos e cenários sempre requintados, mas encare a imundeza dos esgotos e o mundo dos ratos com uma forte certeza da personalidade existente em cada um deles. Ratatouille nos mostra o que há de melhor e de pior nas pessoas, segue a lógica de “Os Incríveis” ao afirmar que se você tem algum talento, precisa usá-lo. Mostra a superação de quem não tem condições de levar seu sonho adiante, mas assim mesmo tenta. Demonstra com sutileza que a paixão pelo que se faz é o que move a pessoa a se tornar o melhor naquilo. E falo isso não só pelo ratinho Remy, mas principalmente por Linguini e por Ego. O primeiro têm um sonho, mas não tem o talento, mesmo assim a sua inocência e bondade o levam a fazer escolhas que se no início se mostram de sucesso, no final acabam por levá-lo a ruína. O segundo, apesar de seu ar arrogante e presunçoso, mostra que tem verdadeira paixão pela arte da culinária, e assim o faz. (Em certo trecho, ele replica um comentário de Linguini que duvida da sua capacidade de gostar de comida por ser magro demais com a seguinte frase: “Eu não “gosto” de comida. Eu amo comida! Mas quando não gosto do que provei, eu não engulo”.)
Assim sendo, Ratatouille representa não apenas uma diversão imperdível como também pode dar origem a discussões estimulantes sobre a natureza da Arte, do artista e do estudioso – e há até mesmo uma interessante leitura sobre o racismo em sua narrativa. Em outras palavras, este é o tipo de prato cujos méritos o inesquecível personagem Ego não hesitaria um segundo em alardear em alto e bom som. E assim eu o faço. Ótimo filme!
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+ eu só ñ sei as partes engraçadas
mas td isso eu achei engraçado