Primeiro, vamos aos fatos:

“O autor e blogueiro começa seu artigo dizendo que, neste impagável ano da graça de 2007, o ato de bloguear está completando 10 anos de vida.”

“Faz o que toda gente dessa estirpe deve fazer: levantar dúvidas. Como bom blogueiro.”

“Fosse no blogue dele, lá estariam os habituais 81 comentários: xingando, duvidando, dando dados, subtraindo informações. O de sempre, enfim.”

“Tudo bem. Bloguear é sobre os amadores passarem a bola por entre as pernas dos profissionais e deixá-los caídos de bunda no meio do campo.”

“Em primeiro lugar, toda a graça dos blogues é que não há fatos. Há suposições, há versões, há interpretações. O mundo é muito pessoal e só pessoalmente há como entendê-lo e interpretá-lo.”

“Ainda mais: o blogue é, em sua essência, um ato de generosidade. Não se está ganhando dinheiro quando se denuncia o verdureiro da esquina cobrando mais caro pelo jiló ou se critica a política externa do Irã ou dos Estados Unidos.”

“Blogue, essa a verdade, é o maior buteco do mundo. Buteco, sim, senhor. Com U. Senta aí, companheiro. Puxe uma cadeira. Vai querer o quê? Uma cerveja estupidamente gelada? No problemo, como dizem os Bart Simpson da vida. Diga lá. Vamos.”

Primeiro que eu não estou aqui pra defender a blogosfera. Blogo porquê gosto, porquê me divirto em escrever e acho fascinante esse poder de compartilhar com milhares de pessoas que você nem conhece os assuntos de seu interesse. É uma conversa. O meu blog é assim. Também fiquei isento da questão da campanha do Estadão contra os blogs. Não achei tão grave assim, mas entendi a reação da blogosfera, pois como bem definiu o Edney Souza, “Se você faz uma piada de português o português não acha graça, fizeram piada com blogs e queriam que todo mundo risse e vestisse uma fantasia de chimpanzé?”.

A questão é que admiro os blogs. Acho uma forma sensacional de jornalistas, publicitários, profissionais de todas as áreas, adolescentes e até os emos se expressarem. E, independentente da qualidade dos textos ou do próprio blog, o que importa é essa democratização que faz com que as opiniões, seja das minorias ou das maiorias, alcance o seu público-alvo.

Antes de começar o Shablemga, era profundo admirador de blogs como os Irmãos Brain, KibeLoco, Carlos Cardoso, MeioBit, Megalopolis, Surra de PaoMole e muitos outros que ora serviam para me manter informado e ora apenas para me divertir. E não é essa a função da Internet? Informar e divertir? Por isso os portais e até os sites de jornais têm seções de entretenimento e de notícias. E funcionavam muito bem, até os blogs chegarem informando mais e MELHOR. Apurando as informações e revisando os seus próprios textos ao contrário do que fazem os grandes portais e jornais (exemplos não faltam: aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Discordo também de que blog´s são diários que servem para “denunciar o verdureiro da esquina cobrando mais caro pelo jiló”, a melhor cobertura de acontecimentos, de escândalos políticos, acidentes, esportes e muitos outros tipos de notícias e ainda com opiniões coerentes sempre encontrei em blogs, e não em grandes portais. Existem blogs sérios e blog´s apenas para divertir. Também existem blogs ridículos e de gente besta, mas existem gente ridículas e bestas no mundo, logo, a blogosfera reflete isso também. Quer coisa mais democrática?

Agora, o que me assustou nessa matéria da BBC (link da matéria, aqui) foi o autor. Ivan Lessa. A Wikipédia lhes explica: “Ivan foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, onde assinava as seções Gip-Gip-Nheco-Nheco, Fotonovelas e “Os Diários de Londres”. Criou junto com o cartunista Jaguar o ratinho Sig (de Sigmund Freud), baseada na anedota corrente da época na qual se dizia que se “Deus criou o Sexo, Freud criara a sacanagem”.” Lembro de uma frase dele dizendo “Prefiro ler do que escrever”. Talvez por isso ele não tenha tentado criar um blog. Também sei que ele mora em Londres, não no Brasil. talvez por isso ele prefira falar sobre amenidades como criticar o seu principal concorrente (afinal, ele escreve para a BBC, mídia impressa e eletrônica, que disputa com os blogs) ou sobre clássicos de jazz e bossa nova. Que fique claro: Sou um entusiasta da anarquia. Prefiro mil vezes um blog mal desenhado mas com conteúdo e um nome por trás para que eu possa questionar do que um jornal que tenha 120 anos de história e um monte de estagiário (nada contra eles) escrevendo ao Deus-dará. O Sr. Lessa renunciou as suas origens ao escrever este artigo. Disse sim a uma classe amedrontada pelo crescimento da informação tête-a-tête e atacou de graça muitos de seus fãs. Como paulista, orgulhoso da bandeira paulista que foi criada por ele, me sinto hoje envergonahdo por ver um baluarte da criatividade, das idéias e da democracia se mostrar tão retrógrado. E já que blogs (na opinião dele) são butecos para conversas amenas e críticas inflamadas, farei jus:

 Os Macacos e os Idiotas

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