Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave.
A frase acima é de Antoine de Saint-Exupéry, famoso escritor de “O Pequeno PrÃncipe” (que eu adoro!) e um profundo admirador das mulheres. Acho que seria esta frase que ele diria hoje, em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos econômicos, polÃticos e sociais alcançados pela mulher. Mas o que é a mulher? E o que é a mulher nos dias de hoje? E o que é a mulher BRASILEIRA nos dias de hoje? Os machistas de plantão serão os primeiros a levantar o dedo afirmando serem o grande problema da humanidade. Os apaixonados inveterados irão questionar a lógica dentro das suas atitudes. Os polÃticos irão dizer que hoje elas são uma força inquestionável dentro da sociedade moderna em que vivemos. Eu me encaixo em outro grupo: O dos admiradores. Porquê mulher é mulher, e isso já basta para serem perfeitas. São tantos papéis, tantas posições, tantas responsabilidades, tanto peso pra carregar em cima das costas que dizer que elas são algo menos do que maravilhosas é, no mÃnimo, uma heresia.
E como diria o Ultraje, há de se admirar todo tipo de mulher: Mulher que se atrasa, mulher que vai na frente, mulher dona de casa e até mulher pra presidente.
Um pouco de história: As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um protesto em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários. Este fato levou à uma versão distorcida dos fatos, misturando este evento com o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também aconteceu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas. Este evento porém nunca aconteceu e o incêndio da Triangle Shirtwaist continua como o pior incêndio da história de Nova Iorque. O primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido.
Desde lá muita, muita coisa aconteceu. E, graças a Deus, a maior parte foi a favor das mulheres. De escravas sexuais e donas de casa submissas elas ascenderam à presidência de grandes empresas e chefes de famÃlia. Mas a sociedade ainda não está totalmente pronta pra esta mudança, ainda são milhares os casos de discriminação sexual presentes em toda o Brasil e pelo mundo, praticados por pessoas que insistem em rebaixar a mulher a condições de sub-existência em relação aos homens quando nada disso estaria aqui se não fosse pela guerra incansável que mães de todo o mundo travam dia após dia para criar, educar e fazer sobreviver os seus filhos nesse crazy world que vivemos.
Só a partir de 1850 surgiram as primeiras organizações de mulheres brasileiras que lutavam pelo direito à educação e ao voto com a pioneira NÃsia Floresta (1809-1885), abolicionista, republicana e feminista nascida no Rio Grande do Norte. Apaixonada pela luta em favor dos direitos das mulheres e entusiasta da idéia de se educar as mulheres em pé de igualdade ao dos homens (que na época era praticamente um insulto), denunciou a ignorância em que eram mantidas e protestou contra a condição de dependência em relação aos homens.
Outros exemplos do século retrasado são a baiana Violante Bivar e Velasco que em 1852 fundou o primeiro jornal dirigido por mulheres: o Jornal das Senhoras e, em 1873, a professora Francisca Senhorinha da Motta Diniz que criou em Minas Gerais, o jornal feminista O Sexo Feminino.
Em 1932, o governo Getúlio Vargas promulgou o novo Código Eleitoral pelo Decreto nº 21.076, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras. Nas eleições de 1933, convocada para a Assembléia Nacional Constituinte, foram eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz.
Uma simples vitória aparentemente, mas que abriu as portas da fazenda da igualdade para que as mulheres pudessem fincar seus pés nessa terra podendo se intitular cidadãs. Depois disso o movimento feminista no Brasil enfraqueceu vertiginosamente graças a politização das mulheres, mas nem por isso as conquistas pararam.
Hoje em dias podemos ver mulheres fazendo trabalho que até poucas décadas eram exclusivos de homens (e melhor que eles!), mulheres jogando futebol e sendo campeões em todos os estilos de esportes radicais ao redor do mundo, mulheres na bolsa de valores, nas presidências de muitos paÃses, dominando grande parte da educação brasileira e contribuindo massivamente para questões importantes da nossa época, liderando verdadeiras expedições a favor do planeta e dos direitos humanos.
Conquistas? Sim, é claro. Mas eu acho que prefiro chamar de retomada. retomada do direito de ser, de ter, de possuir. Retomada dos direitos que negligenciamos por séculos e que sempre foram e sempre deverão ser delas, das mulheres.
Porquê você que está lendo este texto, uma hora ou outro, por mais diferente que tenha sido sua história de vida, dependeu, precisou ou amou uma mulher. E porquê eu sempre dependi de uma, sempre me apoiei na amizade de outras e amo outra. Elas, as nossas mães, amigas e amantes são os pilares que nos sustentam e nos guiam por toda a vida. E, se não decretaram que todos os dias deveriam ser delas, vamos aproveitar este que nós temos pra dizer o quanto elas são importantes pra mim, pra você e pra todo mundo.
Mas uma vez parafraseando Ultraje: “Mulher faz bem pra vista. Tanto faz se ela é machista ou se é feminista, ‘Cê pode achar que é um pouco de exagero, mas eu sei lá, nem quero saber, eu gosto de mulher, eu gosto de mulher, eu gosto de mulher!”
Parabéns mulheres! Nós, os homens, nos rendemos aos vossos pés!
Fontes Históricas: Wikipédia
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